Poema e poeta
Hoje estava aqui em casa, sem muito o que fazer e acabei pegando um livreto do queridíssimo Mario Quintana, um gênio da artes de juntar palavras e transformá-las em poemas e poesias. Gostei de uma em especial!
Acho que gostar de algo que se lê depende do momento em que nós estamos passando ou depende do instante em que, ao ler, nossos pessamentos estão.
Vai aí pra "vocês" - sei que ninguém lê isso aqui...rsrs - refletirem.
PRESENÇA
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um fêmito em teus cabelos...
É preciso que tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir um janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu te sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
MARIO QUINTANA

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